Até 4000 a.C., eramos hominídeos, ainda apoiados sobre os 4 membros e basicamente herbívoros. Isto se dava pelo nosso curto campo de visão, olhando sempre de baixo para cima, onde os olhos não alcançavam grandes caças, exceto quando ocasionalmente se tratava de roedores, insetos e moluscos.
Com a passagem para bípedes, expandimos consideravelmente nossos horizontes. Foi a partir daí que ficamos mais... carnívoros. Mesmo assim, este consumo era vinculado à caça, que nem sempre era possível, pois ainda nos faltava treino e estrutura.
Descobrimos como fazer o fogo, aprendemos a cozinhar nossas comidas. A carne passou a ser mais macia e saborosa.
O fim da pré-história foi marcado pelo inicio da vida em comunidade e aos poucos o fim da vida nômade. Passamos a nos organizar, com plantação de alimentos e domesticação de animais, como ovelha, boi, cabra e porco. A pedra polida, a fabricação de utensílios de cozinha - como potes de cerâmica - e novas técnicas de conservação de alimentos, nos ajudaram a avançar com maior rapidez e cada vez mais, a Era da Fome faz parte do nosso passado.
Pode-se dizer que desde então, passamos a conduzir-nos de forma duvidosa no quesito da alimentação, quando fartura e apetite eram sinais de riqueza e vitalidade.
Sopas, papas, caldos, cereais, caça, animais domesticados, pesca, ervas, raízes, frutos e pão. Estes eram os alimentos normalmente consumidos pela minoria abastada dos feudos e cleros. Para os servos da gleba, excluia-se o pão, os frutos, exceto os silvestres e quase toda a carne, sobrando a caça. Mesmo assim, a carne era rara na mesa dos importantes, que guardavam a matança do animal para ocasiões especiais com realizações de verdadeiras orgias gastronômicas, muitas vezes representados em pinturas da época. Estima-se que o consumo da carne não era superior a 2 kg por ano entre os mais afortunados das recentes sociedades.
Com a chegada da Idade Moderna, a globalização adentrava em nossa história pela Porta Principal. E com ela vieram as especiarias das Índias, os chás chineses, café e chocolate. A batata, originalmente do Perú, também veio para dar mais consistência às sopas. E o açúcar - ouro branco brasileiro, veio para começar a fazer sua história de vícios e distúrbios de saúde. O milho, base da alimentação dos astecas, maias e incas, veio para ficar entre os africanos e europeus. Mas a mandioca não teve tanto sucesso, sendo tratada como comida de animais. A massa, originalmente chinesa, caiu em cheio na mesa italiana, principalmente se juntar ao tomate – outra herança dos pré-sulamericanos. O perú, menu norte-americano, invade os mercados quando o natal se aproxima.
Como vê, teve que ser posta a ordem neste galinheiro. Devido à tantos acontecimentos, que puseram o povo em alvoroço e excitação pelo novo, os reis da França incluíram no cardápio, os talheres e comportamentos de acordo com os alimentos e os presentes na refeição.
A imprensa, que aqui também cumpriu (e cumpre) o seu papel, auxiliou o desenvolvimento e amadurecimento da culinária entre os europeus, com seus livros relacionados a gastronomia, serviço/etiqueta e alimentação/saúde.
A Idade Contemporânea liberou o açúcar para todos, o consumo de gorduras vegetais e animais aumentou. Mas não parou por aí. E antes tivesse! Reza a lenda que por falta de tempo, veio a necessidade de comer mais rapidamente, com as conservas, os enlatados, pré-cozidos e congelados. E os serviços passaram a ser abertos para novos métodos, como os fast-foods, self-service, delivery e drive-thru.
Já conheço gente que não se alimentaria se não fossem a coca-cola, whisky , pães de queijo e neste caso, siceramente as milagrosas pílulas vitamínicas.
Mas, vejo um fenômeno acontecendo ao meu redor, com feiras de produtos biológicos, mercados com várias opções de alimentos organicamente corretos, as medicinas preventivas e alternativas finalmente ganhando espaço entre os céticos da medicina tradicional, a mídia dando mais atenção às questões alimentares e mais investimentos em estudos científicos independentes. Seria o re-início do ciclo? Se for, ótimo, pois já sinto-me preparada com o fogo, o gás canalizado, exaustor, geladeira e microondas. Já criamos os animais para o consumo e já plantamos para nos alimentar. Só espero que o progresso vá para onde eu esteja indo.
Qual é a nossa responsabilidade?
5 meses atrás






